sábado, 22 de novembro de 2014

Ginkgo, as folhas amarelas do outono no Japão

Com suas folhas parecidas com as delicadas avencas, ginkgo é uma invulnerável árvore de folhas caducas que se destaca no outono do Japão.
A árvore é tida como uma das mais antigas plantas, com histórico de 200 milhões de anos, o único fóssil vivo, ou, a única ligação viva com o período jurássico.
Originária da China, cultivada principalmente na Ásia, chega a atingir a altura de 30 metros e uma das plantas com maior longevidade e invulnerabilidade, além da fama poderosa de afastar insetos.
Dióicas, divididas em 2 sexos, a maioria plantada no Japão é o ginkgo feminino. O ginkgo masculino é reconhecido pelos cones de pólen, localizados no nó onde nascem as folhas, sendo mais utilizado no plantio em parques e ruas.
E naturalmente, as espécies femininas são as que produzem frutos, chamados de ginnan (leia-se guin-nan).
Suas folhas adquirem variadas cores, do verde ao amarelo em uma única planta, no outono.
Como a árvore de canfora, que já comentei nesta postagem sobre >>>  a flor de Hiroshima - ginkgo foi mais uma das árvores que sobreviveu à bomba atômica.
Enfeitam ruas, é árvore-símbolo de muitas cidades e províncias japonesas. 
Embelezando, inclusive, com a queda de suas folhas amarelas no outono.


O logotipo de Tóquio é representado pelo desenho da folha de ginkgo.
No Brasil, é conhecido como Ginko Biloba, pela propriedade medicinal, sempre sob orientação médica.

Ginkgo é chamado de ichō pelos japoneses e apelidado de chichinoki (fonética: titinoki).
O nome é derivado do idioma chinês, cuja escrita 鴨脚 - que significa pés de pato, pelo formato das folhas - tem leitura japonesa de ichō. A escrita japonesa seria 公孫樹 que também se lê ichō, traduzida como árvore avenca.
A escrita dos ideogramas do Japão e da China são parecidos, porém a leitura e significados são, muitas vezes, diferentes entre os 2 países.
Existe uma outra teoria a respeito do nome, de que monges e comerciantes que iam à China, entendiam o nome da planta como yachao.
Ichō, ou ginkgo, foram plantadas desde o antigo Japão para proteção a templos e casas, como quebra-vento e contra incêndios. Por isso é bem comum encontrar uma dessas árvores em templos ou santuários.
Santuários e templos que escaparam de incêndios graças à árvore, reverenciam-na como sagrada. Existem árvores como cânfora ou ginkgo, consideradas sagradas em templos ou santuários e, na maioria das vezes, com histórico de centenas de anos, devido à proteção que oferece e pela sua resistência.
Foi a explicação que encontrei por fiéis venerarem árvores em santuários no Japão, em sua inabalável crença na natureza, equilibrada com a tecnologia.
Frutinhos do ginkgo, ginnan
Dentro do ginnan - frutinhos produzidos pela árvore de ginkgo e parecem nozes - tem um grão verde. Depois de quebrar, aparece uma película fétida considerada venenosa. cujo contato direto com a pele pode provocar erupções cutâneas, além do mau cheiro. Envolvida pela película está a semente.
Os frutinhos não produzem mau cheiro. O odor fétido acontece somente depois de abertos e, como na maioria das vezes, pisados.
Existe até uma certa brincadeira, dizendo que a culpa é do pé do homem que pisa e por isso exalar mau cheiro, comparando ao odor da podobromidose, popular chulé.
Considerada resistente a insetos, a madeira, de cor clara, é utilizada na fabricação de móveis e utensílios de cozinha.
Suas propriedades medicinais tem sido de grande eficácia em diversos tratamentos de saúde.
A semente é comestível e faz parte da culinária japonesa, considerado de grande poder nutritivo, no entanto, o uso exagerado não é recomendável.
Lamen verde, produzido a partir da semente
A partir das folhas são produzidos bebidas e extratos com fins medicinais.
Se os japoneses alimentam-se de brotos diversos como os de feijão, de bambu, algas e outras variedades, as sementes que se encontram no interior dos frutinhos também são comestíveis, porém, é preciso tomar muito cuidado, pois o uso em grande quantidade não é recomendado.
Acima de tudo, a beleza das folhas amarelas ao chão, encanta a todos.
Na próxima postagem, um lugar para se encantar com essas folhas, em Aichi.

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sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Udatsu, o símbolo de riqueza na era Edo, no Japão

Movida pela curiosidade de ver uma exposição, que até então conhecia através de fotos, fui até a cidade de Mino, em Gifu.
A curiosidade era conhecer a tradição do papel japonês, através da exposição "Mino Washi Akari Art", cujas fotos exibiam cenário lindíssimo de luminárias em um lugar bastante antigo.
Foi então que conheci uma outra cultura, bastante enriquecedora.

O passeio foi no ano passado - já tem 1 ano - e só estou postando hoje, para que os amigos que aqui visitam possam também conhecer o local, já que a exposição acontece neste final de semana.
O que quero compartilhar é sobre "udatsu".

No período Heian era denominado Udachi, mudou para Udatsu, sendo assim chamado até hoje.
As antigas construções do Japão - ainda existem muitas -  maioria geminadas, facilitavam com que o fogo espalhasse para a casa vizinha, quando os incêndios aconteciam.
Udatsu nada mais é que uma decoração contra incêndio, feita de azulejos, anexada ao telhado em antigas casas japonesas, ligadas nas extremidades para evitar a propagação do fogo de uma casa para outra.

O que eram apenas paredes preventivas tornaram-se símbolo de status, porque eram muito caras e só podiam ser feitam pelos proprietários dos imóveis.
Acima, Galeria Yamada.
Abaixo, Residência Kosaka.



Os comerciantes ricos locais competiam para projetar udatsu como símbolo de sua riqueza e requinte.



Udatsu deu origem à frase "Udatsu ga agaranai", que literalmente significa "incapaz de levantar udatsu". A expressão quer dizer que alguém não é ou não será bem sucedido. Desconhecedores do "udatsu" não entenderiam a expressão.

Ao longo do tempo, muitas dessas construções foram desaparecendo e Mino é onde hoje existe o maior número de udatsu.
Mino-cho é um bairro de Mino com muitas casas e lojas preservadas.

Cortina feita de papel, cuja matéria-prima é sua principal produção.
O banco leva decoração feita com papel.

Pra quem gosta de voltar no tempo, ao antigo Japão, este é o lugar.
Conhecendo udatsu de perto.















Udatsu em reforma.
A rua onde estão os antigos prédios é denominada "Udatsu no Agaru Machi Nami", nome que também deve-se à prosperidade da produção do papel.
Mino é conhecida há séculos pela produção de papel tradicional japonês. A produção continua viva até hoje, graças às amoreiras e às abundantes águas dos rios Nagara e Itadori.
A rua onde estão os antigos prédios é denominada "Udatsu no Agaru Machi Nami", nome que também deve-se à prosperidade da produção do papel.
A exposição é tão rica quanto este lugar. São milhares de expositores de várias partes do arquipélago como artistas, comerciantes de lanternas ou do papel washi e estudantes.
Sobre a exposição explico na próxima postagem.

Endereço:
〒501-3726 岐阜県美濃市加治屋町1959-1
Gifu-ken Mino-shi Kajiya-chō 1959 - 1

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